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O sentimento é de estar vivendo uma terceira guerra mundial. Esta é a descrição da missionária Inês Batista, que mora na Espanha, sobre o caos que a nação enfrenta desde que a pandemia do novo Coronavírus começou. A Espanha já ultrapassou 100 mil casos da doença, atrás apenas da Itália e dos Estados Unidos. 

 

Inês serve como missionária da SGM Brasil na Espanha há mais de sete anos. Ela vive na Galícia, na cidade de Vilagarcia de Arousa, próximo à fronteira com Portugal. Desde que o país decretou quarentena nacional, a rotina da missionária se transformou. Os dias antes agitados com trabalhos evangelísticos e cultos agora são de isolamento social e consolo dos que solicitam auxílio. "Nossa rotina é orar, meditar em tudo o que aprendemos neste tempo, cuidar da casa, das famílias, estar atento ao que está acontecendo com a igreja e a nação", relata. 

 

Além da mudança de rotina, a missionária vê a cada dia os números dos casos elevarem assustadoramente. Só nas últimas 24 horas, são mais de 7 mil novos casos e 864 vítimas fatais do Covid-19, o número total de mortos já ultrapassou 12 mil. Inês descreve um cenário desolador e inimaginável a meses atrás. "Em Madri está um caos, as funerárias não tem mais material para sepultar os mortos,  estão sendo guardados em um depósito para serem cremados, sem as despedidas das famílias", relata. 

 

Inês relata que o sistema de saúde está tendo que se reorganizar para atender os doentes. Hospitais de campanha foram construídos e hotéis estão sendo ocupados para atender os contaminados pelo Covid-19. "Os casos mais leve estão sendo medicados  em casa, na minha região ainda não estão sendo construídos hospitais de campanha, mas estão preparando os hotéis". Na Galícia já são 4432 casos, segundo o governo espanhol.

 

Desde o dia 14 de março a Espanha está em estado de emergência. Inês explica que as leis decretadas são as mais duras na Europa e que em rede nacional o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, apontou a atual crise como pior do que a Segunda Guerra Mundial. "Estamos conscientes que nossas rotinas, nosso ritmo de vida aqui na Espanha nunca mais será o mesmo", afirma Inês. 

 

As cidades espanholas, famosas por seu movimento, com muitos bares e cafés se transformaram em cidades fantasma, militarizadas após o decreto governamental de confinamento. "Estamos sendo vigiados por policiais, seguranças, o exército e pelos vizinhos. Se alguém é encontrado nas ruas sem comprovar um motivo justo está sujeito a multa mínima de 300 euros até 60 mil euros, além  de cadeia de até um ano. Ouvimos todos os dias o toque de recolher, com carros de som e drones vigiando", descreve. 


 

PAZ NO MEIO DO CAOS

 

Ao mesmo tempo em que o caos desafia a humanidade com uma pandemia globalizada, Deus levanta uma igreja convicta de Sua soberania. Em um país onde o número de mortos aumenta a cada dia, a missionária afirma que em Deus encontra a paz em meio aos desafios destes dias. 

 

Inês acredita que é um tempo de chorar com os que choram, de levar paz aos aflitos e ter a certeza de que Deus está presente. "Como missionária sinto que Deus me preparou para viver este tempo nesta nação. Tenho paz em meio ao caos. Me sinto útil em poder ajudar através da internet a acalmar as pessoas, principalmente os jovens que tinham uma vida de atividades diárias". 

 

Motivos de oração: 

  • Por proteção da missionária e da igreja; 

  • Pela saúde física, emocional e psicológica; 

  • Por um quebrantamento do povo espanhol; 

  • Por cura e milagres para os que estão enfermos, 
    fisicamente, emocionalmente ou psicologicamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

Leia a entrevista completa: 

 

1. Qual a situação da Espanha em relação ao Coronavírus? 

Inês: Fazendo um resumo, hoje estamos em estado de emergência,  as leis decretadas são as mais duras da Europa. Podemos sair de casa para ir no supermercado, farmácia. Entra pega muito rápido o básico e sai  para entrar outras pessoas. Algumas mercadorias que estava acostumada a comprar estão em falta. Temos que comprar outras mais caras. "Estamos sendo vigiados por policiais, seguranças, o exército e pelos vizinhos. Se alguém é encontrado nas ruas sem comprovar um motivo justo está sujeito a multa mínima de 300 euros até 60 mil euros, além  de cadeia de até um ano. O presidente fez um pronunciamento que isto para o país é pior do que a segunda guerra mundial. As autoridades estão todos os dias criando novas medidas para o país. Em Madri está um caos, as funerárias não tem mais material para sepultar os mortos, estão sendo guardados em um depósito para serem cremados, sem as despedidas das famílias. Já foi construído um hospital de campanha para 5.500 enfermos que já está sendo ocupado,  estão ocupando os hotéis para atender os enfermos, os casos mais leve estão sendo medicados em casa. Na minha região de Galícia ainda não estão sendo construídos hospitais de campanha, mas estão preparando os hotéis. Na verdade, resumindo a situação da Espanha é de caos.

 

2. Como missionária, como está se sentindo neste momento de pandemia? Houve mudança de rotina?

Inês: Como missionária sinto que Deus me preparou para viver este tempo nesta nação. Tenho paz em meio ao caos. Me sinto útil em poder ajudar através da internet a acalmar as pessoas, principalmente os jovens que tinham uma vida de atividades diárias. Nossa rotina é orar, meditar em tudo o que aprendemos neste tempo, cuidar da casa, das famílias, estar atento ao que está acontecendo com a igreja e a nação. As atividades são totalmente diferentes, só via internet e em casa. 

3. A Espanha é um dos países com o maior número de casos, e o continente europeu é hoje o epicentro da doença, qual a experiência de estar aí neste momento? 

Inês: Em primeiro lugar é que a cada instante que vivo é de estar amadurecendo em meio a uma estufa. 40 anos de cristã, mais de 30 de ministério, nunca sabemos o suficiente. Estar enfrentando uma pandemia na Europa, na Espanha. Mas é chorar com os que choram, e levar paz aos aflitos, na certeza que Deus está conosco.  Nosso sentimento é que estamos em meio a terceira guerra mundial, uma guerra biológica. Ouvimos todos os dias o toque de recolher, com carros de som e drones vigiando.


4. De acordo com as informações que a senhora tem, como a Espanha está se organizando no combate ao Coronavírus? 

Inês: A Espanha tem divergência política como os outros países, mas em relação a esta pandemia todos se uniram aprovando as medidas para socorrer o povo.  Mas quando foi decretado estado de emergência tudo passou ao presidente da nação, ele tem o direito de ocupar qualquer espaço, seja público ou privado, para socorrer os enfermos.


 

Foto de capa: Alvaro Barrientos/AP Photo

CORONAVÍRUS: MISSIONÁRIA NA ESPANHA

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